Zacarias 12-13: A Redenção de Israel

No seu Comentário do Estudo Bíblico, os profesores Walvoord & Zuck dizem: “São necessárias duas condições para o estabelecimento do futuro Reino Messiânico de Israel: (a) a derrota  das nações gentias do mundo que se opõem ao estabelecimento dêsse reino, e (b) a regeneração dos judeus individuais que formarão a nação quando Deus realizar os acôrdos  abraâmicos e davídicos. Ambas estas condições serão realizadas pelo Senhor, como se vê nos capítulos 12 e 13. Êle libertará fìsicamente Israel  dos seus inimigos (12:1-9) e espiritualmente (12:10–13:9).”

O capítulo 11 é o prelúdio necessário dos acontecimentos dos capítulos seguintes. A rejeição do Bom Pastor e a aceitação do mau, preparam a cena para a restauração e renovação espiritual de Israel, o filho perdido (Lucas 15:11-24), como descrito em Zacarias 12 e 13. A emergência do mau pastor no tempo do fim, constitui condição necessária para a introdução do tempo da angústia de Jacob (Jeremias 30:7), para que o resíduo de Israel possa chegar-se ao verdadeiro Pastor com corações quebrantados devido aos seus pecados e aflições.

A libertação física de Israel (12:1-9)

Fazem-se declarações muito claras àcêrca de uma conspiração internacional contra Israel e contra a sua capital Jerusalém. A grande batalha contra Jerusalém terminará com a destruição total das forças inimigas. O Senhor, que fez o céu e a terra, bem assim como todas as criaturas viventes, tem todo o poder tanto no céu como na terra. (12:1). Diz êle:

“Olhai, Eu farei de Jerusalém uma taça de embriaguês para todos os povos que a rodeiam, quando êles cercarem Judá e Jerusalém. E acontecerá nêsse dia, que Eu farei de Jerusalém uma pedra muito pesada para todas as nações; todas as que tentarem arrancá-la serão decerto feitas em pedaços, mesmo que todas as nações da Terra se juntem contra ela… nêsse dia o Senhor defenderá os habitantes de Jerusalém… será nêsse dia que Eu destruirei as nações que vierem contra Jerusalém” (12:2-3, 8-9).

As nações têm corações teimosos,  não regenerados e maus, e por êsse motivo desprezam Israel e odeiam Jerusalém. Como estão sob o domínio dos poderes das trevas, não  reconhecerão nem adorarão o Santo de Israel. Agora, no fim dos tempos, muitos dos inimigos de Israel no Médio Oriente estão a reafirmar a sua antiga conspiração contra Israel, dizendo:“Vinde, façamos com que não sejam uma nação, para que o nome de Israel nunca mais seja lembrado” (Salmo 83:4). A ira divina será derramada sôbre as nações por causa do seu ódio injustificado contra os judeus. Deus diz que juntará todas as nações contra Jerusalém, para com elas entrar em juizo por causa da opressão e dispersão de Israel (Joel 3:2).

O ódio contra os judeus (anti-semitismo), é uma atitude totalmente anti-bíblica, pois êle traz uma maldição de Deus sôbre aqueles que são culpados de albergar e promover êsse espírito anti-cristão. Deus disse a Abraão, o pai fundador de Israel: “Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei aquele que te amaldiçoar; e em ti, todas as famílias da Terra serão abençoadas” (Génesis 12:3). Cristo nasceu da linhagem de Abraão através de Isaac, Jacob, Judá e David, para que “a bênção de Abraão pudesse ser derramada sôbe os gentíos em  Jesus Cristo” (Galatas 3:14). Rejeitar o povo através do qual Deus deu um Salvador ao mundo (Romanos 9:5) e a quem também confiou a Sua Palavra (Romanos 3:1-4) embora êsse mesmo povo possa continuar infiel a Deus (Romanos 11:11-12), é rejeitar o Deus de Israel. Êle tratará firmemente dêstes inimigos.

Deus ferirá os inimigos de Israel com cegueira (12:4) e fortalecerá o Seu povo para êle poder expulsar e aniquilar as forças hostis. Nêsse dia, os judeus serão heróis que obterão a vitória sob a direcção e com a ajuda do Messias (12:6-8).

A libertação espiritual de Israel (12:10-13:9).

A salvação de Israel na altura da Segunda Vinda de Cristo, necessitará de um novo derramamento do Espírito Santo, pois ocorrerá sete anos após o arrebatamento, que formalmente põe têrmo à dispensação da igreja. O Espírito de Deus levará o resíduo de Israel ao arrependimento e à fé no Senhor Jesus como seu Messias. Deus diz:

“Eu derramarei o Espírito da graça e da súplica sôbre a casa de David e sôbre os habitantes de Jerusalém; e então êles olharão para Mim a quem lancearam; vão-se lamentar por Êle como quem se lamenta por um único filho, e chorar como quem chora por um primogénito. Nêsse dia haverá grande lamentação em Jerusalém, como a lamentação em Hadat Rimmon, na planície de Megido. E a Terra lamentar-se-á, cada família por si mesma; nêsse dia será aberta uma fonte para o pecado e para a imundícia, para a casa de David e para os habitantes de Jerusalém” (12:10-12; 13:1).

Zacarias compara a morte do Messias à de um ”filho único” e de um ”primogénito”. A lamentação por um filho único ou um primogénito era particularmente amarga e violenta. Com a morte de um filho único extinguia-se a luz de uma família. Com a morte de um primogénito, a honra da família, “a primeira prestação da bênção de Deus”, e portanto a mais apreciada, era removida. A lamentação pelo Messias é também comparada à lamentação pelo Rei Josias. Os professsores Walvoord & Zuck (Comentário do Conhecimento Bíblico), dizem: “A lamentação futura de Israel pelo seu Messias, compara-se em segundo lugar à lamentação do dia em que o recto Rei Josias, a última esperança da decadente nação judaica, foi assassinado pelo Faraó Neco II, em Hadat Rimmon, tradicionalmente identificada como uma aldeia perto de Jezreel, na planície de Megido (2 Crónicas 35:20-27). Assim, a grandiosidade da lamentação neste derramamento final do Espírito Santo só se pode comparar às lágrimas de um extremoso indivíduo (Zacarias 12:10) ou à lamentação pelas catástrofes conjuntas da nação”.

O Rever. Isaac Jennings, (Dicioinário Bíblico Imperial) diz: “A grande lamentação dos últimos dias descrita por Zacarias, quando toda a terra se vai lamentar e todas as famílias separadamente se vão juntar nêsse acto, refere-se  ao arrependimento do povo judaico e à sua profunda contrição por causa da passada descrença quando, convencido do pecado de ter rejeitado o Messias, olhar para Êle a quem perfurou o peito, e chorar, encontrando então limpeza para a sua descrença na fonte que lhe é aberta para o pecado e imundícia; e assim será salvo todo Israel (Romanos 11:26). Abençoados são aqueles que assim se lamentam (Mateus 5:4), pois serão confortados através da compaixão e perdão do nosso Deus, que  perdoará livremente todos os seus pecados e levará paz às sua almas.

“Êste assunto lembra-nos vivamente o pecado como causa original de toda a tristeza e fonte de todo o sofrimento e males de que a carne é herdeira. Lembra-nos também do abençoado objectivo da vinda ao mundo do Filho de Deus para salvar do pecado (Mateus 1:21) e portanto finalmente, para nos livrar de toda a lamentação e tristeza. Desde o dia em que os nossos primeiros pais sairam tristes do jardim do Eden até hoje, a Terra tem sido um vale de lágrimas; e assim continuará a ser até à Segunda Vinda de Nosso Senhor para fazer todas as coisas novas, altura em que a tristeza e o soluçar desaparecerão e a Terra mais uma vez, em maior beleza que na sua beleza inicial e em maior felicidade que a do Eden, se transformará na mansão de eterna alegria!”

A terra de Israel também será limpa de todo o vestígio de idolatria: “Acontecerá nêsse dia, diz o SENHOR dos exércitos, que retirarei da terra os nomes dos ídolos e não mais serão lembrados. E farei também com que os profetas e o espírito imundo  partam da terra” (13:2). Perto da altura da Segunda Vinda de Cristo, a idolatria incluirá a adoração da imagem do Anticristo no templo de Jerusalém (Daniel 9:27; Mateus 24:15; 2 Tessal. 2:4; Apocalipse 13:14-15), embora haja também presentes outras formas de idolatria (Apocalipse 9:20). Junto com a erradicação da idolatria haverá também a erradicação de falsas profecias, que são originadas por espíritos imundos (13:2-5).

O verdadeiro Profeta e Pastor de Israel é Aquele que foi ferido pelas nossas iniquidades (Isaías 53:5). – “E alguém Lhe dirá: O que são estas feridas nas Tuas mãos?  E Êle responderá: Aquelas com que fui ferido na casa dos Meus amigos; Acorda ó espada, contra o Meu Pastor, contra o Homem que é Meu Companheiro, diz o SENHOR dos exércitos. Ataca o Pastor e as ovelhas se desgarrarão” (13:6-7).

No dia em que Jesus regressar e puzer o pé no Monte das Oliveiras, o resíduo de Israel verá as marcas nas Suas mãos e perguntará: “O que são estas feridas nas Tuas mãos?” Êle responderá que foi ferido na casa dos Seus amigos. Os judeus saberão quem são os Seus amigos ou povo, nomeadamente a casa de Israel, porque todos sabem que o Seu Messias será um descendente do Rei David. Então porquê as feridas nas Suas mãos? Não é Êle um Rei poderoso que podia ter evitado ser ferido fôsse por quem fôsse? Num momento de grande choque e desilusão compreenderão quem Êle é – Jesus de Nazaré, que foi traído e rejeitado pelos seus antepassados. Olharão para Êle,  a quem perfuraram o peito, e chorarão por Êle, porque compreenderão que, por O terem rejeitado, foram participantes na Sua crucificação.

Esta situação lembrará o dia, há muito tempo, em que José foi inesperadamente revelado aos seus irmãos como rei do Egipto. José foi um tipo de Messias: “Então José disse aos seus irmãos: Eu sou José… mas os seus irmãos não lhe puderam responder pois estavam espantados na sua presença. E José disse aos irmãos: Por favor aproximai-vos de mim. E êles aproximaram-se. E êle disse-lhes: Eu sou José, o vosso irmão que vendesteis ao Egipto. Mas agora portanto, não vos preocupeis nem vos zangueis entre vós porque me vendesteis; pois Deus enviou-me antes de vós para preservar vida” (Génesis 45:3-5). Como José, Jesus também foi traído e vendido pelo preço de um escravo, mas Deus ungiu-O como Rei do mundo e fará os Seus irmãos ajoelharem-se diante de Si para salvação. “Então os Seus irmãos também foram e se ajoelharam diante da Sua face e disseram, Olha, somos  teus servos. José disse-lhes: Não temais…” (Génesis 50:18-19). Quando Jesus regressar, os Seus irmãos vão reagir da mesma maneira, e vão ser perdoados e reavivados espiritualmente.

Quando o Pastor foi ferido, as ovelhas tresmalharam-se (13:7). Mesmo os judeus messiânicos se tresmalharam quando Jesus foi crucificado (Mateus 26:31), também depois da Sua ascenção (Actos 8:1). Os judeus descrentes foram dispersos depois da destruição de Jerusalém. 

Antes do resíduo de Israel ser reconciliado com o Messias na altura da Sua Segunda Vinda, êles vão ser severamente perseguidos e dispersos pelo falso messias. O Senhor Jesus avisou a êste respeito, quando disse que haveria uma grande tribulação que levará a vida humana no planeta à beira da extinção. Êle disse aínda, que, se o número dêsses dias não fôsse reduzido, nenhum ser humano sobreviviria (Mateus 24:21-22).

No que diz respeito aos judeus, Zacarias menciona um número de mortos extremamente elevado: “E acontecerá em toda  terra, diz o SENHOR, que dois têrços nela serão separados e mortos, mas um têrço ficará nela” (13:8). Isso significa que um númereo de mortos mais elevado que o do Holocausto na Segunda Guerra Mundial aguarda os 13 milhões de judeus do mundo durante os dias nêgros da grande tribulação. Que horrível perspectiva para os descrentes! O mesmo se aplica aos gentíos.

As pessoas não devem culpar Deus pelos terríveis julgamentos que trarão sôbre si mesmas por causa do não-arrependimento dos seus corações. Todas as pessoas não-salvas caminham para um tempo de sofrimento pior que a grande tribulação, ao serem lançadas no eterno lago de fôgo. O Messias, na qualidade de juiz de todos nós, dir-lhes-á: “Afastai-vos de Mim, amaldi-çoados, para dentro do fôgo eterno preparado para o diabo e seus anjos” (Mateus 25:41). João diz: “E qualquer que não foi encontrado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fôgo” (Apocalipse 20:15).

Os judeus que sobreviverem à grande tribulação serão refinados e salvos: “Eu farei passar o têrço pelo fôgo, refiná-lo-ei como a prata é refinada e como o ouro é provado. Êles chamarão pelo Meu nome e Eu lhes responderei. Eu direi, Êste é o Meu povo; e cada um dêles dirá, o SENHOR é o meu Deus” (13:9). Êles são os abençoados que herdarão o prometido reino do Messias. Êle regerá o mundo a partir do trono restaurado de David em Jeruslém (Actos 15:16-17), e o Seu povo gozará tempos de consolação na Sua presença (Actos 3:19).