A secção final do livro de Zacarias consiste de dois oráculos, que apontam para o Rei Messiânico e Seu Reino. Os capítulos 9 e 11 referem-se na maior parte à primeira vinda do Messias, salientando o tema da Sua rejeição, mas dando ao mesmo tempo um quadro profético da história de Israel até aos últimos tempos. Os capítulos 12 a 14 focam a Segunda Vinda do Messias e salientam a Sua subida ao trono como parte do grande final na história de Israel. Os dois oráculos contêm numerosas passagens, que correspondem a temas importantes nas oito visões, o que frisa claramente a unidade de todo o livro.
Êstes versos descrevem a destruição de vários inimigos de Israel. Alexandre o Grande da Grécia, foi a causa humana da destruição mencionada nestes versos, mas o seu envolvimento nela é ladeado nesta profecia, para salientar a verdadeira causa divina do julgamento de certas cidades e países. Hadrach era uma cidade e país situada ao Norte de Hamath. Damasco era a capital de Aram (Síria), e Hamath era também uma cidade síria. A Ocidente, na costa, estavam as cidades fenícias de Tiro e Sidon. Todas estas foram conquistadas por Alexandre, que assim executou o julgamento de Deus sôbre elas (9:1-4). Durante a sua invasão, Alexandre também destruiu quatro cidades filistinas, a saber Ashkelon, Gaza, Ekron e Ashdod (9:5-7).
Devido à protecção de Deus, as tropas de Alexandre passaram duas vezes a cidade de Jerusalém, sem a atacarem. Deus disse: “Eu acamparei à roda da Minha casa por causa do exército, por causa daquele que passa e do que regressa” (9:8). Esta defesa divina de Jerusalém aponta para a protecção final da cidade por Deus, no milénio, quando Jerusalém não será nunca mais invadida pelos seus inimigos – “E assim sabereis que Eu sou o Senhor vosso Deus, que vive em Sião a Minha montanha santa. Então Jerusalém será santa, e estranho algum voltará jamais a passar através dela” (Joel 3:17). As tentativas inspiradas pelo diabo para destruir Jerusalém directamente antes, e de novo depois do reino milenário do Messias, terão de enfrentar os mais severos julgamentos de Deus (Zacarias 14:12-13; Apocalipse 20:7-9).
A destruição de reinos, cidades, governos e exércitos inimigos, é indicação dos julgamentos de Deus sôbre os reais inimigos do Seu reino – o diabo e seus cumplices. No Velho Testamento, todas as nações fora de Israel eram consideradas nações pagãs, com reis pagãos, culturas e religiões pagãs (Salmo 96:5). De facto elas adoravam o diabo em vez de adorarem Deus: “…as coisas que os gentios sacrificam, êles sacrificam a demónios e não a Deus” (1Coríntios 10:20). Por êsse motivo, eram inimigos de Deus e estavam sujeitos aos Seus julgamentos (Juizes 5:31; Isaías 66:6).
Todos os reinos pagãos são fortalezas de Satanás, e portanto confessos inimigos de Deus e do Seu povo Israel. Tiro, que é mencionada por Zacarias (9:2-4), tipifica Satanás e o seu reino de escuridão. Deus afirmou que havia de expulsar Tiro, destruir o seu poder e que então seria devorada pelo fôgo. Esta profecia contra Tiro não foi apenas cumprida literalmente durante a conquista de Alexandre, mas há muito tempo já, Deus também julgou de maneira semelhante o verdadeiro rei de Tiro, i..e. Satanás (Veja-se Ezequiel 28:1-19). Satanás foi primeiro lançado fora do céu, depois de considerável tempo o seu poder na Terra será destruido pelo Messias (Hebreus 2:14) e finalmente será lançado no eterno lago de fôgo (Apocalipse 20:10).
À luz dêstes graves factos, Israel tinha de ser uma nação separada, que não se devia misturar com as nações pagãs, pois o país estava dedicado a uma vida santa para o Senhor e a serví-Lo e adorá-LO apenas a Êle (Levítico 19:2; Deuter. 6:13). Qualquer cumplicidade com as nações pagãs e suas obras vis, seria olhada como rebelião e castigada por Deus (Deuter. 32:16-22; 2 Crónicas 24:18). Nem Israel nem as outras nações têm qualquer espécie de futuro aos olhos de Deus, se não aceitarem e não servirem o Messias, O Ungido, o Filho de Deus, cujo govêrno universal será estabelecido em Sião. Deus afirma: “Eu coloquei o Meu Rei no Meu monte santo de Sião… Agora portanto, sêde sábios ó reis… serví o SENHOR com temor… beijai o Filho para que Êle se não zangue e pereçais no caminho, quando Êle acender apenas um pouco a Sua ira. Abençoados são todos aqueles que n’Êle pôem a sua confiança” (Salmo 2:6, 10-12).
Não podia ter havido melhor notícia para Israel, que a de que o Filho de Deus nasceria no seu meio: “Olhai, a virgam conceberá e terá um Filho e chamará o Seu Nome Immanuel (Deus conosco)” – (Isaías 7:14). Esta promessa foi confirmada a Maria quando estava noiva de José: “E olha hás-de conceber no teu ventre e dar à luz um Filho, e chamarás o Seu nome JESUS. Êle será grande, e será chamado o Filho do Altíssimo; e o Senhor Deus dar-Lhe-á o trono de Seu pai David. E Êle reinará sôbre a casa de Jacob para sempre” (Lucas 1:31-33).
Zacarias descreve claramente a vinda do Rei de Israel para Jerusalém como uma Pessoa humilde que seria o Seu Senhor e Salvador: “Alegra-te grandemente ó filha de Sião! Grita ó filha de Jerusalém! Olhai, o vosso Rei está a vir para vós; Êle é justo e tem a salvação, é humilde e vem montado num burro” (9:9).
As expressões “filha de Sião” (2:10) e “filha de Jerusalém” referem-se a toda a nação de Israel. Foi-lhes dito para darem as boas vindas ao Rei que vinha, não com mêdo mas com grande alegria. A notícia “o vosso Rei está a vir para vós” refere-se ao muito desejado Rei e Messias. Isaías diz que Êle é o Principe da Paz, que se sentará no trono de David (Isaías 9:6-7). Miquéas diz que Êle será um governador em Israel e que Será grande até aos fins da Terra (Miquéas 5:2-4). Êle será um Rei justo e recto (Isaías 11:1-5; Jeremias 23:5-6). A expresão “tem a salvação” significa que Êle virá como Salvador: “O SENHOR teu Deus no meio de ti, O Poderoso salvará; Êle se deleitará em ti com alegria” (Sofonias 3:17).
O Messias apresentou-Se a Israel em entrada triunfal na cidade, montado num burro (Mateus 21:1-5). Nos tempos antigos, se um rei vinha em paz montaria um burro em vez dum cavalo. Jesus montou um burro. Como noutras profecias do Velho Testamento, esta (9:9-10) combina dois acontecimentos numa perspectiva – acontecimentos que o Novo Testamento divide em dois adventos distintos de Cristo, separados pela presente era da igreja (Veja-se Isaías 9:6-7; 61:1-2; Lucas 4:18-21). Durante o Seu primeiro advento Êle montou num burro e apresentou-Se a Israel que O rejeitou como Rei. Assim, o Seu govêrno universal (9:10) será estabelecido quando voltar de novo, mas montado num cavalo branco, para julgar os Seus inimigos e salvar o resíduo de Israel (Apocalipse 19:11-15; Zacarias 13:9).
Quando voltar, o Messias estabelecerá a paz na Terra, libertará Israel, destruirá os pastores falsos e reunirá a nação:
O Messias estabelecerá a paz na Terra (9:10)
Depois da batalha final de Armagedon, o Messias porá fim às guerras e estabelecerá o Seu reino de paz na Terra: “Eu tirarei o carro de combate de Efraim e o cavalo de Jerusalém; o arco de batalha será tirado. Êle falará de paz às nações; O Seu domínio será de mar a mar, e do Rio até aos fins da Terra” (9:10). Depois desta grande guerra, as nações “farão das espadas charruas e das suas lanças ganchos de podar. Nação não levantará a espada contra nação, nem aprenderão mais a fazer guerra” (Isaías 2:4). O Messias terá um reino mundial, que se estenderá de Israel até para lá do rio Eufrates, e através dos oceanos até aos fins da Terra (Veja-se Miquéas 7:12).
O Messias libertará Israel (9:11-17)
A promessa de Deus da libertação e restauração de Israel é repetida muitas vezes nas Escrituras: “Por causa do sangue do teu concêrto, Eu libertarei os teus presos do pôço sem água. Voltai à fortaleza, vós prisioneiros da esperança. Eu declaro mesmo hoje, que vos recompensarei a dobrar” (9:11-12). A fidelidade de Deus para com os Seus acôrdos com Israel, constitui a Sua base para a libertação do povo da dispersão mundial (Veja-se Levítico 26:44-45).
O sangue do concêrto òbviamente que se refere ao velho acôrdo no tempo de Zacarias (Êxodo 24:8; Hebreus 9:18-22), mas foi apenas um prelúdio do sacrifício do Messias na plenitude do tempo. Pedro lembrou aos crentes messiânicos de Israel que êles foram redimidos pelo sangue precioso do Messias, como de um cordeiro sem defeito ou mancha (1Pedro 1:18-19). Apenas através do sangue do novo e eterno acôrdo podem os judeus e os gentíos ser perdoados e feitos completos (Hebreus 13:20-21).
Deus prometeu que, nos termos do Seu concêrto com Israel, libertaria os seus prisioneiros. Isso não se referia apenas ao regresso dos judeus exilados na Babilónia, mas também se refere ao regresso dos judeus no fim dos tempos, das nações para onde tinham sido dispersos. O pôço sem água refere-se ao lugar do exílio, e a fortaleza a que devem regressar, a Jerusalém. No final dos tempos Deus restaurará o dôbro dos judeus que tinham sido dispersos, salientando dessa maneira o facto que as Suas bênçãos no milénio excederão tudo quanto Israel possa conceber.
Zacarias 9:13-17 refere-se à libertação de Israel dos “filhos da Grécia” (9:13). Alexandre o Grande da Grécia morreu com a idade de 32 anos em 323 AC, com malária e complicações devidas ao alcoolismo. O seu reino foi dividido entre os seus quatrro generais entre os quais Ptolomeu foi nomeado para o Egipto e Seleuco para a Síria e Mesopotâmia. Durante épocas diferentes na história, a Síria e a Mesopotâmia foram chamadas conjuntamente Síria, Assíria e Babilónia. Do ponto de vista de Israel, os reis da Síria e do Egipto eram apelidados o rei do Norte e o rei do Sul respectivamente (Daniel 11). Êstes reis e os seus descendentes atacaram e dominaram Israel com frequência, particularmente Antiocus Epifanes e seus sucessores do reino nortenho da Síria. Entre êles, Antiocus Epifanes foi o pior ditador. Israel foi apenas libertado parcialmente dos “filhos da Grécia” durante o período dos macabeus, mas será totalmente libertado do tirano assírio do tempo do fim. Zacarias diz que “o SENHOR seu Deus os salvará nêsse dia” (9:16). “Êsse dia” refere-se ao período da tribulação, à Segunda Vinda do Messias e ao Seu subsequente govêrno milenário.
O filho da Grécia do tempo do fim será o Anticristo, ou falso messias, que reinará na Síria e Mesopotâmia, que presentemente são a Síria e o Iraque. Portanto êle será o rei do Norte do fim dos tempos, que terá também os títulos de Assírio e de rei da Babilónia. Isaías descreveu a libertação de Israel da sua tirania: “Portanto acontecerá, quando o SENHOR tiver terminado todo o Seu trabalho no monte Sião e em Jerusalém, que Êle dirá – Eu castigarei o fruto do coração arrogante do rei da Assíria e a glória dos seus ares altaneiros… e acontecerá que nêsse dia o resíduo de Israel e os que escaparam, da casa de Jacob, nunca mais dependerão daquele que os derrotou, mas dependerão do SENHOR, do Santo de Israel, em verdade. O resíduo, o resíduo de Jacob, regressará ao Deus Poderoso” (Isaías 10:12,20,21). Finalmente êles serão libertados do jugo dos seus inimigos, especialmente do Assírio, e entrarão num período de felicidade e abundância (9:17).
O Messias destruirá os falsos pastores (10:1-5)
“Os ídolos falam engano; os adivinhos imaginam mentiras e contam sonhos falsos; êles confortam em vão… O povo tem problemas porque não há pastores, e Eu castigarei os cabreiros. Porque o SENHOR dos exércitos visitará o Seu rebanho” (10:2-3). Deus destruirá os falsos profetas quando o Messias, “o grande Pastor das ovelhas” regressasr a Israel. Os falsos pastores são equiparados a cabreiros, descrevendo-os assim como falsos profetas. Tais pastores não estão a alimentar as ovelhas, mas sim a enganá-las, acabando por dar em cabreiros – dirigentes não-salvos que desviam os ouvidos da verdade dando falsas esperanças aos seus igualmente não-salvos rebanhos “de cabras”.
O Messias é descrito de quatro maneiras diferentes, como pedra de canto, âncora de tenda, arco de batalha e governador (10:4). Como preciosa Pedra de canto, Êle é a única fundação sôbre que as vidas das pessoas podem ser construidas (Isaías 28:16; 1 Pedro 2:4-6). Para os não-salvos Êle será uma pedra de tropêço para os destruir (Isaías 8:14-15; 1 Pedro 2:8). Como Âncora de tenda, Êle é a âncora segura que traz estabilidade às vidas do Seu povo – tanto nacionalmente como individualmente (Veja-se Isaías 33:20; Prov. 14:11). Como Arco de batalha Êle protege o Seu povo contra os inimigos (Êxodo 15:3; Salmo 45:6; 110:5-6). O Messias não travará toda a luta, mas dotará o Seu povo com poder para conquistar os homens fortes (10:5). Como Governador Êle governará sôbre a casa de Israel e sôbre toda a Terra (Miquéas 5:2,4).
O Messias reunirá todo o Israel (10:6-12)
Esta profecia refere-se à reunião final de Israel logo a seguir à Segunda Vinda do Messias, o que constituirá a continuação da sua restauração parcial antes da Sua Vinda: “Eu fortalecerei a casa de Judá… Eu trá-los-ei de regresso, porque tenho compaixão dêles. Êles serão como se Eu os não tivesse posto de lado; porque eu sou o SENHOR seu Deus e ouvi-los-ei… Os seus corações alegrar-se-ão no SENHOR. Eu assobiarei por êles para os juntar, pois Eu hei-de redimi-los; e êles aumentarão como em tempos aumentaram” (10:6-8).
Deus deu a Sofonias mais informações àcêrca desta reunião final: “Nêsse dia será dito a Jerusalém: Não tenhas mêdo; Sião, que as tuas mãos não sejam fracas. O SENHOR vosso Deus no meio de vós, O Poderoso salvará; Êle rejubilará em vós com alegria, Êle vos acalmará no Seu amor, Êle rejubilará em vós com canções… Eu tomarei conta de todos quantos vos afligem; Eu salvarei os côxos e chamarei os que foram expulsos; Eu destiná-los-ei para a fama e para o louvor em todas as terras onde foram envergonhados. Nessa altura Eu trazer-vos-ei de volta, mesmo na altura em que vos juntar; pois Eu vos darei fama e louvor entre todos os povos da terra quando, à vossa vista, Eu fizer voltar os vossos cativos, diz o SENHOR” (Sofonias 3:16-20).