Da autoria de John R. Rice, foi publicado em 1945 por “Sword of the Lord Publishers” (Publicaçôes Espada do Senhor) – Tennessee – U.S.A. Reimpressão autorizada. Traduzido para Português por Julio de Andrade
Abstract: A Portuguese translation of Dr. John Rice’s article on the doctrine of eternal punishment for the wicked in Hell.
Se há um lugar de tormento eterno onde as almas condenadas gritam em vão por água, entre chamas de que nunca escaparão, êsse é o mais terrível e alarmante facto do Universo! A simples possibilidade de semelhante fim estar à espera do pecador é tão chocante, que nada se lhe pode comparar em importância. Como é que se poderia comparar a glutonisse ou a fome dos nossos dias, a abundância de roupas ou a nudez, a honra ou a infâmia, o prazer ou a dor, com um milhão de anos de mágoa, tormento do corpo, da alma e da consciência? Peço ao pecador que pense bem no que Deus afirma, e veja como vale a pena considerar o que Éle diz sôbre o Inferno. E, amigo cristão, se um dos teus familiares está correndo o risco do fôgo do Inferno, quanta ânsia e alarme não deves sentir! Quão diligentes os teus esforços, quão fervorosas as tuas preces e noites sem sono deverão ser, para salvar êsse do destino das almas perdidas! Sim, se um ser humano vai a caminho de tão terrível destino, os nossos esforços não se devem limitar a laços de família ou amizades.
Se houver um único homem na terra, mesmo um estranho total, em risco de ir para o Inferno, todo e qualquer de nós com um pouco de amor pelo seu semelhante, deve ter um desejo apaixonado de salvar essa pobre alma. Para santos e pecadores, sem qualquer diferença, a questão do Inferno transforma-se em assunto da mais alarmante importância. Devemos elucidar-nos sôbre o Inferno para lhe escaparmos nós próprios e também para salvarmos outros.
O único sítio onde podemos elucidar-nos e aprender sôbre o Inferno, é na Bíblia. A ciência humana, nada sabe além da morte. A experiência humana, não atinge além da sepultura. Se o homem da terra alguma vez desejar saber o que se encontra para além desta vida, deve procurar sabê-lo de Deus. O Céu, o Inferno, as recompensas, os castigos, a felicidade e a tristeza para além da sepultura, são assuntos sôbre os quais a Palavra de Deus é a única autoridade. Assim, êste livro vai mostrar-vos o que a Bíblia diz sôbre o Inferno.
A escritura com que começamos êste livro constitui o que o próprio Jesus disse àcerca do Inferno e Êle disse muito mais que isso, conforme se regista em muitos versos do Novo Testamento. Jesus Cristo foi o maior prègador sôbre o Inferno, de todos os prègadores da Bíblia. Muita gente fala com frequência do Senhor Jesus como “o humilde Nazareno” ou “o manso e humilde Jesus.” Mas, na verdade, embora Jesus seja a própria essência do amor de Deus manifesta em forma humana, a Sua mensagem de aviso contra as terríveis consequências do pecado, foi a mais clara e contundente de toda a Bíblia. Reparai e pensai nas seguintes escrituras, todas afirmações do Senhor Jesus sôbre o Inferno:
· “Mas, quem quer que disser ‘Tu, louco’, corre o risco do fôgo do Inferno” (Mateus 5:22).
· “E não temais aqueles que matam o corpo, mas não são capazes de matar a alma: Antes, temei Aquele que é capaz de destruir tanto a alma como o corpo, no Inferno” (Mateus 10:28).
· “Portanto, da mesma maneira que as taras são arrebanhadas e queimadas no fôgo, assim será também no fim dêste mundo. O Filho do Homem enviará os seus anjos, e êles retirarão do seu reino todas as coisas que ofendem e aqueles que praticam iniquidade e lançà-los-á na fornalha de fôgo. E haverá lamentos e ranger de dentes” (Mateus 13:40-42).
· “Assim será no fim do mundo: os anjos virão, e separarão os maus dos justos e lançá-los-âo na fornalha de fôgo. E haverá lamentos e ranger de dentes” (Mateus 13:49-50).
· “Vós serpentes, vós geração de víboras, como podereis escapar a danação do Inferno?” (Mateus 23:33).
· “Então dirá Êle também aos que estão à sua esquerda: Afastai-vos de mim, vós malditos, para dentro do fôgo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos” (Mateus 25:41).
· “E êstes se afastarão para o castigo eterno: Mas os justos para a vida eterna” (Mateus 25:46).
· “E se a tua mão te ofender, corta-a: Pois é preferível para ti entrares na vida aleijado, do que teres duas mãos e ires para o Inferno, para o fôgo que nunca será apagado: Onde os seus vermes não morrem e o fôgo não é abrandado. E, se o teu pé te ofende, corta-o: Pois é melhor para ti entrares coxo na vida, do que teres dois pés e seres lançado no Inferno, no fôgo que nunca será apagado: Onde os seus vermes não morrem e o fôgo não é abrandado. E se o teu ôlho te ofende, arranca-o: Pois é melhor para ti entrares no reino de Deus com um só ôlho, do que teres dois olhos e seres lançado no fôgo do Inferno, onde os seus vermes não morrem e o fôgo não é abrandado. Pois cada um será purificado com fôgo, e cada sacrifício será purificado com sal” (Marcos 9:43-49).
As escrituras acima mencionadas, são todas palavras do próprio Senhor Jesus. Jesus era um prègador do Fôgo do Inferno. Para Êle, o Inferno era um facto, um facto horrivel, mas um facto necessário. Com indignação santa Êle prègou contra o pecado e, num aviso solene, instou junto dos homens no sentido de fugirem da ira que está para vir. Os prègadores da Bíblia, prègadores que seguem o Senhor Jesus, devem prègar sôbre o Inferno.
Mas, chamo a vossa atenção de novo para a passagem em Lucas 16:19-31 citada no princípio dêste capítulo. Jesus proferiu estas palavras na presença de homens, como palavras solenes, históricas. Isto não é uma parábola. A Bíblia não lhe chama parábola. Não tem as características de uma parábola. Abraâo, uma figura histórica, é mencionado pelo seu nome. Lázaro também. Isto não são personagens imaginárias. Sem dúvida, que o nome do homem perdido teria sido mencionado também, mas o coração sensível do Salvador não quis magoar os seus amados parentes, que podiam ter ouvido a história do homem rico que morreu e foi para o Inferno porque se não arrependeu dos seus pecados.
Se não acreditarmos nesta passagem, então não acreditamos também em Jesus Cristo. Se esta escritura sôbre o Inferno não é absolutamente digna de confiança, então teremos de rejeitar a Bíblia como a Palavra de Deus e Jesus como o Filho de Deus. Se não pudessemos acreditar o que a Bíblia diz sôbre o Inferno, então não poderiamos acreditar o que ela diz sôbre o Céu, sôbre Deus, sôbre Cristo, sôbre a salvação, ou sôbre o bem e o mal. Se se provar que a Bíblia é incorrecta e não é de confiança num só ponto, então ela é um livro humano, não um livro divino e a religião cristâ não é mais que qualquer outra religião inventada pelo homem. Mas, se Bíblia é verdadeira, então temos que acreditar no que ela diz sôbre o Inferno.
Jesus falou mais do Inferno, do que Moisés, David, Isaías, Paulo, Pedro, João ou qualquer outro na Bíblia. Jesus é autoridade. Somos obrigados a acreditar naquilo que Éle disse. Não nos atrevemos a rejeitar uma palavra apenas sôbre o que Êle disse relativamente aos tormentos de uma alma perdida, no Inferno. Não podemos acrescentar um facto consolador ao que Jesus disse a tal respeito. Interferir ou alterar o que Êle proferiu significa verdadeira infidelidade. Se eu provar qualquer parte dos seus ensinamentos como falsa, terei considerado Jesus um impostor, não o Filho de Deus e a Bíblia como um livro humano e não como a Palavra de Deus. Se não acreditarmos neste relato do homem rico no Inferno, não haverá nada na Bíblia que podemos acreditar e nada mais restará da religião cristâ. Devemos acreditar, e aceitar tal como se nos apresenta, tudo o que Jesus disse sôbre o Inferno. Se brincarmos ou menosprezarmos êste ponto, só ganharemos a maldição daqueles que morrerem não salvos, que não foram avisados, e que acabarão nêsse mesmo Inferno.
Desde os dias do paraíso do Eden, até hoje, o Diabo tem estado empenhado em levar o homem à rebelião contra Deus e a pecar. O melhor argumento que o Diabo pode apresentar ao homem para o levar a pecar, é dizer-lhe que Deus não castiga o pecado. A Eva, no jardim do Eden, quando Deus lhe disse “no dia que comeres dessa fruta certamente morrerás” o Diabo contradisse: “Certamente não morrerás.” Êle levou Israel a acreditar, no tempo de Malaquias, “é vão Servir a Deus.” Porque o povo dizia “os que fazem o mal são ajudados, sim, os que tentam a Deus são até libertos!” E ainda mais, fez Israel acreditar na frase do povo “todo aquele que faz o mal é bem visto aos olhos do Senhor e o Senhor deleita-se neles!” (Malaquias 3:14-15; 2:17).
A grande finalidade do Diabo é fazer acreditar ao homem que o pecado não será castigado. Se o Diabo conseguir fazer acreditar ao homem que não há Inferno, ou que o Inferno é a sepultura, ou que o Inferno é apenas uma figura de prosa, não um lugar real e literal, ou que os malditos serão queimados de uma vez, rapidamente, sem muita dor, ou que terão ainda outra oportunidade de se salvarem, ou que “no fim de contas Deus é bom demais para enviar pessoas para o Inferno,” entâo, o Diabo terá levado a bom termo o seu propósito e levará o homem a continuar a pecar, dêsse modo levando os incautos ao Inferno. O papel do Diabo é reduzir ou negar a verdade dos ensinamentos da Bíblia sôbre o Inferno.
No fim de contas, as ideias modernas sôbre o Inferno, são parte da filosofia moderna que nega que o ser humano é inerentemente máu, a deidade de Cristo, a reconciliaçâo pelo sangue e a inspiração da Bíblia. Em vez da creaçâo directa do homem, a sua queda no jardim do Eden, e o depravado coração de toda a humanidade, que a Bíblia ensina, o modernista acredita que o homem é um producto da evolução e está a ficar melhor a toda a hora. Em vez da salvação pelo sangue de Cristo, reconciliaçâo pelo Filho de Deus para o homem pecador, ensina que a salvação se obtém pelas obras e pelo carácter do homem. Em vez de seguir a Bíblia – que é a Palavra de Deus verbalmente inspirada e que descreve o homem como pecador condenado a um Inferno de horror – com a salvação oferecida gratuitamente por um grande Salvador, o modernista segue as tradições dos homens e as suas teorias científicas e de raciocínio.
O Inferno é um assunto pouco popular. O Dr. J.M. Dawson afirmou em 1930: “que a velha ideia do Inferno se esfumou, e que os pastores das igrejas cultas se recusavam a reavivar essa ideia.” O facto é, que um homem de Deus que acredita na Bíblia deve prègar a terrível verdade, ou responsabilizar-se pela ruína daqueles que gritam por ajuda, sem esperança, num Inferno sôbre o qual não foram avisados! Uma pessoa que acredita na Bíblia e procura agradar a Deus, deve prègar sôbre o Inferno.